quinta-feira, 10 de junho de 2010

Vício

Terceira avenida que passo
E minha esquina ainda é a próxima
A beira da vida que testo
Passa a anfetamina
Finda e tóxica

A tarde termina
Nos barulhos intensos da próxima esquina
Ambulâncias emergentes e sirenes policiais
A tarde termina
Na ânsia gritante
Da distância carente, solene e voraz

A noite vai nascendo
Evanescendo na virtude da cópia imperfeita
Diferente de ontem
A manhã banha no sereno
O dia vai nascendo
Na quietude e na glória da aldeia

Ouvia o Pai dizendo
Temendo, da altitude teórica, a colheita
A lã do rebanho tem hoje mais veneno
E o cardume, ao pescador,
Só é volume de memória na areia.

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