quinta-feira, 10 de junho de 2010

Porto Seguro

Fluente a leitura na correnteza
A margem do rio começa na margem da página
Pelo impulso, escrever, gerar nascente
Entender: quem vira a folha, encontra fim, configura a alma

Encontrar-se sem consciência
Passa a estado de luz
Interrompendo o suspense da história
O rio, em seu curso, avesso à cascata induz
O desprezo é só a fuga da minha própria memória

Persistente, o som constante não dá silêncio
Mas por constância, anula em si sua existência sonora
Nem o vento que até pouco dava tempo
Nem as palavras, que mesmo mudas, gritam alto da lenta hora

O sol poente é um descanso
A calma, nem tanto
E eu querendo à noite dormir
Partir em uma arca às estrelas
E na outra margem do mar arpoar.

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