quinta-feira, 10 de junho de 2010

Nova Sorte

O sol?
O sábado entardece pelo inverno frio de dezembro
As árvores peladas dançam, curvando frágeis gravetos
Paredes de tijolo exposto suportam escadas de ferro
Tudo sério e coberto pela esfera suave do medo

As últimas folhas são como gotas d'água e meu corpo
Num universo suspenso contra a gravidade
O destino decisivo do inverno é derrubá-los
Em uma cama, numa poça, ou no vento da cidade

As janelas refletem nuvens do Oeste
Pesadas no horizonte da bobagem humana
A moldura do horizonte aqui é vertical
Artificial à natureza das criaturas mundanas

Enquanto superfícies de ideias viram capa de revista
Obscuro interesse em voga a favor da desinformação
O atrevimento da moda de atitude é invasiva
Despenca como a bolsa decadente da sua cotação

Os galhos secos do meu corpo contorcem
No tronco magro de pontas, juntas e ossos arbitrários
A régua da gravura expressionista da minha figura rasura
E rascunha a regra das contas, multas, e negócios ordinários

Cuidando a correnteza, as janelas e o tijolo
Um pássaro voa com proeza pela fenda dos prédios
Procurando tristezas paralelas ao olho
O pedágio do sistema foi colocar-se à venda, e à crédito.

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