sexta-feira, 17 de setembro de 2010

8.800km

Suspensas no ar as lembranças reprisam
Derivam em correntes
Desmancham. Deliram.

Aos passos, e escuto:
o vento do leste assovia
Vem aquele cansaço que bate,
justamente quando a praia esfria

De novo o espelho do banheiro
E mais um lapso do estático ao lento
O canto branco do olho é vermelho,
enquanto a nébula da córnea cobre o pensamento

Estômago opaco estala de fome
Você anda, pára
Espera. Percorre.

Mas seus pais estão longe
Sua vida é passado
No colo da mente, memórias dão cabo

Camiseta branca, tinta de vinho
Amassada de sono, cheirando a ninho

A manhã cedo acorda em um arranjo floydiano
Sopraram no seu ouvido: acorda, meu anjo

Você depara em um realejo, se lembra onde está tal papel
Percebe que o azul do azulejo não é exatamente o mesmo do céu

Sabe somente agora que realmente todo este ontem passou
Do jeito que bate sem sorte lá fora, o vento do norte
Só de sentir forte
Como o tempo voou.

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